NÃO SEI SE VOCÊ É MAIS MEU AMIGO. Hoje, dia de lembrar que não dá pra esquecê-lo, duvidei de você, ou do que tenho te chamado. Amigo. De repente já não aceito mais sua amizade. Já chamei gente demais de amiga. Gente por quem passei. Falo com dor. Passei por tanta gente boa que não posso deixar de chamá-los de amigos. Passei por suas lembranças, doces e queridas, mas muitas já quase apagadas. Retratos de uma passagem, flagrantes do que não é mais. Imagens doces, mas imprecisas. Que pena! São meus amigos aqueles que o tempo borrou suas imagens. Desenho de uma saudade que não mais tenho. O que importa agora é que você deixou de ser meu amigo. Não sei quando e é isto que me cura. Chamo de amigas as pessoas de quem sinto uma estranha saudade por não mais sentir falta, apenas saudade. Mas estas, basta bater a poeira das parcas memórias, sei exatamente quando se tornaram minhas amigas. Foi no dia em que nos despedimos e eu, de novo, passei por elas. Meu desconforto neste dia que não deveria existir no seu caso, já que estas datas são coisas de amigos, gente que precisa se lembrar do que se importar, é de que sei exatamente quando e onde fui impedido de chamá-lo de amigo. Curioso! Também em uma despedida. Ali eu já duvidava do que só hoje descobri, jamais seríamos amigos.
Não quero nunca mais chamá-lo de amigo. Também o proíbo, já que não o é, de que assim me chame. Não gosto do que penso quando a alguém chamo de amigo. Melhor, quando chamá-lo não lhe darei nomes. Apenas direi seu nome e calarei. Faça o mesmo. Beberemos e comeremos juntos. Falaremos de nossos amores e de quantos amores nos deram. Jogaremos ping-pong e sinuca. Correremos. Oraremos nossas poesias. Cantaremos nossas prosas. Depois, quando tivermos que nos chamar de alguma coisa, ficaremos em silêncio e eu reverenciarei aquele por quem não passei. Graças a Deus! Já tava na hora! Despedi-me à toa de alguém. Não há flagrantes embaçados. Nem de fotos precisamos. São insuficientes as imagens e os nomes. Tenho você na alma. Os amigos, tenho nas fotos. Ah! Também não tirarei mais fotos suas.
Elienai Cabral Junior

5 comments
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30/11/2006 às 12:45 am
Paulo Brabo
Elienai, deixe-me chamá-lo de amigo pelo menos até trocarmos o primeiro abraço. A partir daí mandemos às favas os rótulos e categorias. Algumas preciosidades não tem nome que lhes corresponda.
01/12/2006 às 7:20 pm
FChagas
Alguem anonimo pode fazer comentário neste blog? Se por acaso concedessem uma oportunidade, ele continuaria ser anônimo? São perguntas que me incuca a mente e me deixa arretado, oxente!(Coisas do nordeste). Mas acredito que a semente é boa, por isso vale a pena continuar. (a palavra acretido é sem vinculo algum com o blog, foi pobreza de vocabulário mesmo, por isso é mera coincidencia)
Você acabou de se formar em construtor, um engenheiro de idéias. Um abraço e parabéns pelo blog.
08/12/2006 às 12:10 pm
Márcio
…como criança: comem, bebem, correm, jogam sinuca e ping – pong (e brigam!), cantam e vão embora sem despedida!
Poesia doce e linda que desconstrói com faz toda boa arte!
19/12/2006 às 5:59 pm
cicero do vale
Belo Texto. Que a Paz e a Graça de Jesus o Cristo possa te orientar nos teus caminhos!
13/03/2009 às 2:54 pm
Tammy
Lindo, lindo!!!
é meio paradoxal esse lance de sentir saudade e aprender não mais sentir falta, eu vejo uma enclusa na outra, mas há certas circunstâncias na vida que precisamos aprender a sentir saudade sem sentir a falta de alguém ou de um tempo que não volta mais, enfim!!
Belo Texto Elienai!!!
Tammy C.