“A teologia é o caminho mais longo para se chegar a Deus”. (Mário Quintana)
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08/02/2007 às 9:10 pm
Paulo Maurício
Elienai,
Mário Quintana, talvez, seja o poeta que mais me leve a Deus com sua poesia, todavia amigo, percebo que hoje já não podemos falar de “teologia” apenas como distanciamento, pois na verdade esse é o papel da Teologia acadêmica, seca, fria, parada no tempo e no reter Deus. Penso na Teologia como um pássaro que voa sem gaiolas para prendê-lo. Penso na Teologia como a vida de um homem que constrói sem medo de que precise refazer sua construção. Na verdade, penso a Teologia como amor: enigmático, todavia excitante e necessário.
Teologia, o que será? Vou ler poesia, vou fazer Teologia! Vou me aproximar do Pai.
A poesia é também fazer Teologia!
“Se eu fosse um padre
Eu nos meus sermões
Não falaria de Deus, nem do pecado
Muito menos no anjo rebelado
E os encantos das suas seduções
Não citara sonhos, nem profetas
Nada das suas celestiais promessas
Ou das suas terríveis maldições.
Se eu fosse um padre
Eu citaria os poetas
Rezaria seus versos. Os mais belos
Desses que desde a infância me embalaram
E quem dera que alguns fossem meus.
Porque a poesia purifica a alma
E um belo poema ainda que de
Deus se aparte um belo poema
Sempre leva à DEUS”.
Mário Quintana
P.S.: Elienai escrivi este texto e nunca compartilhei com ninguém. Seja o primeiro:
Será Deus que Tu És Só Isso que Falam?
“É só no vazio que o vôo acontece”. Rubem Alves
Alguém me ensinou certa feita que duas retas paralelas se encontram no vazio do infinito! Aliás, aquele que me ensinou, sempre dizia: “Mas o infinito e o vazio são lugares inalcançáveis para os matemáticos”.
Parece que a Teologia caminha como os matemáticos em algumas coisas. Exemplo: a Teologia precisa sempre do vazio e do infinito, mas não ousa viver o que seja fato e concreto, escrito e não pensado, ortodoxia e nunca inovado. Assim se define o teólogo: alguém que pensa Deus ou sobre realidades referentes a Deus, mas não ousa pensar além do que alguém já determinou como axioma universal teológico.
Deparei-me com um pensar Deus cheio de incertezas, cheio de vazios do não chão,
Do não feito, do não pronto. Confesso que nesse vôo a graça se torna mais viva, aliás,
o vôo te faz perceber quão pequeno você é e quão dependente do Senhor você
se torna. O vôo, às vezes, é irresponsável, mas a sensação de liberdade de pensar Deus
sem as gaiolas religiosas é algo magnífico e ao mesmo tempo norteador da vida. Sim! A
vida se torna mais leve e a presença de Deus é celebrada no imperceptível.
Confesso que o pensar Deus desse jeito (sem jeito) dá medo. E o vôo sem olhar o chão dá medo! Talvez seja por isso que alguns não se arriscam, porque a liberdade causa medo e o medo puxa o freio; é por isso que alguns preferem respostas prontas na ponta da língua, por mais que essas respostas sejam mentirosas, mas elas dão o chão e medrosos precisam de certezas, mesmo que elas não respondam a verdade.
Tenho que conhecer mais Deus e a sua palavra, isso é fato. Tenho que visitar mais. Orar e contemplar mais o Criador através da vida. Na verdade quero conhecer mais o Pai, voando! Com medo, mas voando; com incertezas, mas voando; com irresponsabilidades do vôo, mas com a dependência de quem precisa reconhecer a sua pequenez.
09/02/2007 às 1:42 pm
elienaijr
Uma teologia desteologizada!? Como um cristianismo descristianizado. Um Cristo menos cristão. Um Cristo-Cristo. De qualquer forma, desconfio de que a teologia que você defendeu já não seja mais “teologia”. Como o sermão sugerido pelo Quintana não é mais sermão. Essa, suspeito, era a idéia de Jesus, não uma nova religião, nem uma nova ortodoxia, mas simplesmente um mergulho corajoso na vida. Que foi o que Deus criou e para a qual somos devolvidos na redenção.
Por falar nisso, seu texto é belo!
09/02/2007 às 7:08 pm
Márcio Cardoso
Vocês estão estudando, né? Uma honra sermos companheiros!
Deixa eu contrubuir…
Uma outra teologia. Que é a teologia de Cristo e dos salmistas, que não se prende à letra, ao grego, ao hebraico e à instituição.
Uma teologia subversiva, não porque pretende ser subversiva pela vaidade de ser, mas porque não sabe ser de outro jeito: por ser livre como o Espírito derrete aquilo que se cristalizou; por não ser de sindicato nenhum devolve ao lugar do sagrado aquilo que pretenderam domesticar e que por isso mesmo se dessacralizou; por ser obra de arte inevitavelmente desconstrói.
Os salmistas estão longe de serem afetados, caricaturados como é hoje grande parte dos ministros de louvor; os poetas hebreus estão se lixando pra fogueiras inquisitórias montadas para quem se referiu a Deus de maneira diferente do usual/tradicional.
Os salmistas pouco se preocupam com teologia sistemática e acho que é por isso que os teólogos dizem que não se faz teologia com textos poéticos!
Deve ser porque os pensamentos dos poetas são frágeis.
Mas nessa fragilidade Davi, Asaf, os filhos de Coré, Moisés, Salomão alçaram vôos teológicos “irresponsáveis”.
São pensamento frágeis sim, mas não é isso que o criador do blog bebendo em Vattimo reparte conosco? “Pensamentos frágeis são os que chegam mais perto de Deus e do próximo!”
Frágeis movidos pela certeza única que se diregem ao Deus único e que este os ouve.
Sem o socorro da poesia o cristão padece num paradigma que por falta de outro é saturado à exaustão!
A poesia nos livra dos preconceitos, paradigmas, dogmas, pois ela não pretende saturar um tema; ela sugere o indizível!
A poesia é a tentativa de dizer o inefável!
E pra que mais desconcertante do que a teologia/encarnação de Cristo: radical, também subversiva (afinal de contas Deus se assenta num alto e sublime trono e não pode se humanizar), que se esvazia, que se fragiliza. TEOLOGIA É ENCARNAR!
O Verbo de Deus é um Logos “sem razão”! Pelo menos sem a razão que cultuam os cartesianos, cientistas, fundamentalisatas. É outra razão que o Verbo quer excitar.
Quem se achega ao Verbo preso à palavra se fundamentaliza, fossiliza-se; quem se achega ao Verbo num relacionamento vivo e dinâmico encontra a Palavra de Deus.
Quem se aproxima do Verbo interessado apenas no que ele diz não ouve sua voz; quem é amigo do Verbo ouve Deus!
Não se pode prender o que Jesus disse, mas a Bíblia foi impressa! Como, então, chegar diante das Sagradas Escrituras? Acredito que com outros ouvidos – ouvidos que estão muito mais interessados na voz do amado do que em caçar fundamentos para defender dogmas, construir sermões, compor canções, abrir cultos… PARA UMA OUTRA TEOLOGIA, OUTROS OUVIDOS!
E a revelação/teologia/encarnação/poesia continua. Está aberta…! E contamos com um grande aliado, o Espírito Santo que nos lembrará tudo o que o Logos falou.
E assim fazer teologia não vai ser um meio para se achegar a Deus, mas um jeito de caminhar com Ele!
22/09/2009 às 7:37 pm
Marcio Ribeiro
Os comentarios foram de grande valia … tenho escrito alguns poemas e me identifiquei com o blog … Grande abraç(o____ a todos !!!