A fidelidade consiste em nosso grau de conformidade com os dogmas de uma igreja que também deve se ocupar de buscar novas respostas às novas perguntas, em lugar de se ancilosar no passado em nome da perfeição? É fidelidade o que damos quando, pretendendo ser fiéis, nos negamos a refletir junto com o restante do mundo sobre as questões que determinarão o futuro da vida neste planeta e a autenticidade da vida nesta igreja, tais como: o aborto, a eutanásia, o armamentismo nuclear, o papado, a colegialidade, o sexismo e uma ciência desenfreada, como se Jesus não tivesse pensado a partir de uma perspectiva nova nos leprosos e no pecado, nas mulheres e na vida, nos sacerdotes e no povo, em Deus e nos fariseus?

Muito pelo contrário. Não é a nenhuma instituição, por muito elevados que sejam seus objetivos, que devemos ser fiéis. A fidelidade, pura e simplesmente, busca passo a passo, lugar a lugar e projeto a projeto, unicamente a vontade de Deus e a apaixonada presença do Evangelho em um mundo que se sente mais confortável com credos do que com a religião, que está mais familiarizado com a igreja do que com Cristo, mais comprometido com a caridade do que com a justiça, mais involucrado na opressão do que na igualdade, mais dedicado a manter a fé de nossos pais proscrevendo os pronomes femininos dos textos sagrados do que a libertar o ímpeto da Boa Nova. Realmente, devemos analisar cuidadosamente a que somos fiéis, a fim de que a fidelidade não seja a nossa ruína.(Grifo meu)

(Citado por Andrés Torres Queiruga, O Fim do Cristianismo Pré-moderno – Paulus, pág. 64-65.)

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