Degustei esse poema às gargalhas, cercado por amigos, sentado à mesa na casa do Adalberto e da Marilene, frio paulistano, vinho na taça, parmezão aos pedaços e azeitonas chilenas. Que dias gostosos…

É segundo por segundo

Que vai o tempo medindo

Todas as coisas do mundo

Num só tic-tac, em suma,

Há tanta monotonia

Que até a felicidade,

Como goteira num balde,

Cansa, aborrece, enfastia…

E a própria dor – quem diria?-

A própria dor acostuma.

E vão se revezando, assim,

Dia e noite, sol e bruma…

E isto afinal não cansa?

Já não há gosto e desgosto

Quando é prevista a mudança.

Ai que vida tão comprida…

Se não houvesse a morte, Maria,

Eu me matava!

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