Tenho pena dos brasileiros barrados e expulsos dos Estados Unidos e da Europa.

Tenho vergonha dos políticos do Rio de Janeiro que fabricaram bala perdida, dengue, jogo do bicho; eles matam sem se sentirem culpados.

Tenho pena da Polícia Federal que trabalha muito e eficientemente, mas em vão; bastam poucos dias e os presos ganham a liminar que lhes garante a liberdade esplêndida.

Tenho vergonha dos dirigentes do futebol brasileiro. Neles vejo exposto o lado mais sórdido da cultura nacional.

Tenho pena dos professores que ralam nas escolas da rede pública. Imagino quanta energia gastam para manter o profissionalismo enquanto carteiras mal ficam em pé e falta giz.

Tenho vergonha dos pastores da televisão. Eles não imaginam como soam ridículos em suas prédicas.

Tenho pena dos meus patrícios e das minhas irmãs,
coveiros,
operadoras de telemarketing,
lavadores de prato,
porteiros,
pescadores,
bordadeiras,
serventes de construção,
trocadores de ônibus,
catadoras de lixo,
copeiras;
Meu Deus, como vivem?

Tenho vergonha de gente como eu e você;
precisamos escrever e esforçar-nos para ter pena.

Soli Deo Gloria.

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