A probidade, a sinceridade, a candura, a convicção, a noção do dever, são coisas que podem tornar-se medonhas quando mal interpretadas, mas que, mesmo medonhas, continuam grandiosas; sua majestade, própria da consciência humana, persiste no horror. São virtudes que têm um vício, um erro. A alegria impiedosa, mas honesta, de um fanático em plena atrocidade, conserva um certo brilho lugubremente venerável. Javert, sem suspeitar, em meio a sua formidável felicidade, era lamentável, como todo ignorante que triunfa. Nada mais pungente e terrível que aquele rosto, mostrando o que poderia ser chamado de toda a maldade do bem. (Victor Hugo, Os Miseráveis)

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