O que é Revelação Divina?
A Revelação é o próprio de Deus? É o que de Deus se mostra? É ele se definindo? A Revelação é autônoma? Ou é uma manifestação que identificamos como de caráter divino? Aquilo que dizemos ser de Deus? Existe um misto de “revelações” no meio religioso das mais lúcidas às mais bizarras; tanto quanto é o número de crentes!

Se for autônoma, o próprio Deus se limita, encaixa-se, defini-se?
Se for uma interpretação do homem, por isso mesmo é frágil! Sendo uma interpretação do homem… interpretação é sempre uma interpretação – “Deus falou, e tudo mais é comentário” (Rob Bell); e dependendo da cultura, do estágio da civilização, da era, do credo, dos interesses… que revelações!

Se for o próprio de Deus não seria autoritária, imposta, “de cima para baixo”? Ou até mesmo inconcebível, inapreensível já que seria uma linguagem do Eterno? (mas se Ele fala com essa língua já não seria revelação, e sim narcisismo, monólogo!).

Sendo do homem é suspeita, tendenciosa, manipulável que domestica o divino!

Seria a Revelação, por outro lado, uma combinação do divino e do humano?
Deus começando e o homem garimpando? A Revelação não é absoluta, autônoma e autoritária. Ela se relativiza quando o homem se coloca como parteiro da Revelação.

Mas o garimpo não seria também passível de interpretações e por isso caricaturas? Parece que há uma sinuca aqui!

De qualquer forma, a Revelação de Deus é um ato primeiro para o homem responder em seguida, mesmo sendo esta resposta tênue, débil, caricatural.

Será que seremos isentos de idolatria no fazer afirmações de Deus? Será que de alguma forma não estaremos sempre fazendo caricaturas de Deus? É possível não fazermos caricaturas do Impronunciável, da Realidade última, Daquele que é o Nada do Tudo cuja Causa é Ele? Ou nós sempre nos relacionamos com deuses, mas na sua graça o Transcendente se deixa achar?

O desafio seria então melhorarmos nossa visão de Deus. Olhando para Jesus nós seremos mais felizes nessa atividade!

Ainda estou pesquisando… mas até agora percebi que Jesus não faz afirmações a respeito de Deus (pelo menos diretamente); tudo o que ele diz apela à imaginação, à intuição, à criatividade; é subversivo, livre, passível sim de várias interpretações. Parece-me que Jesus não está preocupado que saibamos quem Deus é exatamente! O Divino se empresta, se submete em amor a interpretações sem crise de identidade – Ele é! Ele sabe que teremos dEle apenas vislumbres, lampejos e nunca o Tal Total!

O que Jesus sabe de Deus é vivido mais do que afirmado; o que Jesus sabe de Deus é posto em oração, mas do que em sistemas! O que Jesus sabe de Deus é contado em histórias mais do que numa cartilha. Quem é não precisa se afirmar, basta viver!

Mas qual a garantia que teremos que estamos nos relacionando com o Deus para além de Deus?
A garantia da sua graça! Nós nos relacionamos com Ele porque Ele nos procura e acha quando pensamos que O estamos buscando! Não porque aprendemos a lhe encontrar com orações, com afirmações ou qualquer forma de ascetismo.

Em nossa busca de Deus nos perdemos de nós mesmos e dEle, mas em sua infinita bondade Ele nos acha nos Areópagos da Vida!

Nas nossas confusões idolátricas Deus nos mostrará as suas costas!
Moisés pede pra ver a face de Deus. Deus o coloca numa fenda de uma rocha e passa cobrindo o rosto de Moisés com sua mão; quando Moisés olha Deus já passou – Moisés vê suas costas.

Deus está sempre passando… o que percebemos são suas costas, o seu rastro, o seu perfume… o que vemos de Deus é sempre sua silhueta. Vemos Deus sempre de soslaio!

Mas em se relacionado com este Alguém Desconhecido podemos ficar tranqüilo – Ele nos encontra, nós somos dEle, por causa dEle e por Ele!

Se ninguém apreende o Imponderável todos falam de caricaturas! Parece que alargamos um pouco mais o entendimento aqui e também ficamos mais tolerantes. Pois todos, de todas as religiões, espiritualidades pretendem falar de Deus.

Deus criou o Universo com potencial revelatório. Tudo o que é verdadeiro, justo, belo e bom é de categoria da Revelação! A Revelação conta com a percepção do homem, que por sua vez precisa ser modesto na declaração daquilo que “percebeu”. A Revelação se expande tanto quanto o número de gente!

O pensamento de alguém que está fora da minha tribo, religião é tão frágil quanto o meu! Por que descartá-lo, por que demonizá-lo? Eu que tenho minhas caricaturas do divino…!

Seria então a Revelação um mosaico de caricaturas do divino de todas as eras, mitos, tribos, religiões, culturas…? Estaria Deus contando com esses pequenos lampejos de cada homem e mulher para que sua Revelação se alargue? Estaria a Revelação se desenvolvendo no desenrolar da História?

Seria a Revelação um globo de revelações que se dialogam, que se misturam, que se toleram, que se completam, que se alargam?

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