You are currently browsing the tag archive for the ‘beleza’ tag.

O poder do Natal é o de um bebê
O poder de não ter poder algum
É uma fraqueza que misteriosamente nos mobiliza
Uma ausência que graciosamente nos faz presentes
Nós, que andávamos dispersos de tão aflitos;
distantes, de tão cansados;
apagados, de tão tristes;
alheios, doentes, oprimidos,
de tão sombrios
Agora a delicadeza de um menino nos desperta,
“Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, o Príncipe da Paz” é como nomeamos uma criança

Jesus nina sereno e quente e delicado
Ele fez da manjedoura um berço; do estábulo, um lar
A beleza é insurgente
Entre os pobres está o libertador,
é na periferia que a verdade reluz,
é entre os sem-lugar o espaço da revolução
Se a paz não nasce entre as vítimas não é paz
A salvação é embalada no colo exausto dos refugiados

O corpinho débil e silente acorda-nos do cansaço
Faz ouvidos de gente sem voz escutar canções:
“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor”
Faz pastores nas sombras da noite verem clarões.
Ouvem anjos, corais e o sinal é ver o belo onde tudo parece estranho:
“Encontrarão o bebê envolto em panos deitado numa manjedoura”

O poder do bebê está nos olhos de quem ousa amar
e ver e acreditar e desejar
O poder da fé está nos olhos que veem promessas;
que enxergam a sútil beleza do futuro
teimosamente aberto,
vertiginosamente livre
A violência não é dona do destino;
Deus é a criança em flagrante ternura,
ela faz os desprezados esquecerem vinganças,
os ressentidos abandonarem ódios
e correrem estradas para tão somente amar

O bebê está no colo de Maria, ele mama faminto,
suga o peito da mãe e esta é a revelação
Os pastores chegam falantes, cheios de histórias,
os olhos se voltam para a cena delicada
e o silêncio inevitável acende a imagem
Eles não veem só a óbvia pobreza,
não se rendem à triste injustiça
A cena é suave e gentilmente insinuante
Os ressentimentos podem não virar ódios
O cansaço pode não ter a última palavra
Um dos pastores relembra as vozes da madrugada:
“Hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor”

Os Magos se aproximam como meteoritos que rasgam o céu,
têm a urgência de quem sabe aonde querem chegar,
O bebê espreguiça e boceja suave e sem pressa
Baltazar é o nome do que se antecipa e pede para ninar a criança
Com o nenê no colo, mal consegue respirar
Sente uma desconhecida reverência, de quem não sabe mais para onde ir
O bebê nos braços fortes de um adulto pede gestos sutis,
muda o tom da voz,
converte os movimentos descuidados em uma dança carinhosa
O corpinho frágil refina o corpo embrutecido
e o mago que vivia com os olhos nos rastros luminosos,
Agora não tira os olhos do rosto gentil
Melchior, com os pensamentos nadando na esperança, puxa da memória as palavras ouvidas no palácio:
“E você, Belém, terra de Judá, não é de modo algum a menor entre as principais cidades, porque de você sairá um líder, que vai apascentar meu povo”

O casal se entreolha, suspira e José diz aliviado:
“Deus está conosco”
Maria faz que sim com a cabeça, toma o Jesusinho no colo e cantarola uma canção de ninar:
“E será seu nome Emanuel”

Quem me segue que também eu não o siga?

Blog Stats

  • 227.539 hits